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Hipismo

História

Repensar a trajetória do hipismo é fazer uma viagem no tempo e voltar para, aproximadamente, o ano 4 mil a.C., quando o povo asiático começava a domesticar os cavalos. A princípio, os equinos eram usados somente para fins de locomoção, pelos campos de plantio e caçadas.

Depois, com a transformação da sociedade e das necessidades humanas, os cavalos passaram a ser preparados para se adaptar a esse novo contexto, tornando-se vitais para o trabalho do homem, para a exploração de novos territórios e, principalmente, para o poderio militar das nações.

Não consta em estudos a data exata em que o cavalo foi inserido nas atividades esportivas, mas sabe-se que nos Jogos Olímpicos da Antiguidade, sediados em Atenas, a corrida equestre e a corrida de bigas (uma espécie de charrete) eram duas das competições mais populares da época, 648 a.C.

Ainda nesse cenário, onde eram comuns os tratados sobre equitação, podemos destacar os escritos de Jenofontes - historiador, filósofo e militar grego - , os primeiros a ensinar que os cavalos deviam ser manejados de forma carinhosa e respeitosa e que cada cavaleiro tinha a obrigação de conhecer o moral de seu animal.

Com o fim dos Jogos Olímpicos da Antiguidade em 393 d.C., é impossível negar que a equitação passou por um processo de descontinuação na área esportiva. Porém, os estudos estratégicos e as práticas inovadoras fizeram o hipismo ser valorizado entre os militares - que praticamente dominaram o esporte até 1952, quando as mulheres puderam participar das competições olímpicas do gênero.

Paralelo às atividades militares, os europeus passaram - no início do século XV até meados do século XVIII - a encarar o hipismo como uma arte e praticavam, especialmente, o salto. Ainda nesse contexto, era comum que os nobres ingleses se reunissem para, montados a cavalo, caçar.  Tal atividade previa, em seu percurso, cavalgadas em terrenos variados e a superação de obstáculos e barreiras. Nascia aí o hipismo tal como conhecemos hoje.

A paixão pelo esporte era tanta que logo a Europa inteira estava contagiada. Militares franceses, alemães e italianos - por conta do ofício - eram verdadeiros mestres na modalidade. Conquistar um lugar cativo na programação olímpica não foi uma tarefa muito difícil, já que o hipismo era largamente praticado (e valorizado) pelos europeus. A partir de 1912, em Estocolmo, a programação oficial dos Jogos Olímpicos passou a contar com o esporte equestre que ainda hoje é muito difundido.


No Brasil


A história dos cavalos no  Brasil começa com a vinda dos portugueses, que trouxeram os animais para auxiliar no trabalho agrário e na exploração das terras da nova colônia lusitana. Bem adaptado ao país, foi na região sul que se focalizou o pólo de criação dos equinos brasileiros.


O hipismo, porém, apareceu somente em 1641, quando o príncipe holandês Maurício de Nassau organizou a primeira competição. O Torneio de Cavalaria, como ficou conhecido, foi uma corrida equestre que tinha de um lado holandeses, franceses, alemães e ingleses e, no time adversário, portugueses e brasileiros. Para a surpresa de todos, foi a segunda equipe que se consagrou campeã.

Depois desse evento, são poucas as informações sobre outras competições esportivas envolvendo cavalos. Somente no século XVII, embalado pelas tendências européias, o Brasil começou a verdadeiramente praticar a equitação, que foi divulgada e defendida por D. Pedro I, amante da modalidade.

Os militares brasileiros são os grandes responsáveis por manter viva a paixão pelo hipismo, que começou a interessar também a sociedade civil no início da década de 90.  O esporte passou a ser muito requisitado e em 1911 a Sociedade Hípica Paulista e o Clube Sportivo de Equitação (hoje conhecido como Centro Hípico do Exército) foram criados.


Modalidades


Ao todo, oito modalidades são legitimadas pela Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) e pela FEI, porém, apenas quatro são olímpicas ou pan-americanas: saltos, adestramento, concurso completo de equitação (CCE) e especial (paraolímpica). As outras modalidades são - para a CBH - rédeas, volteio, enduro e pólo; e  rédeas, volteio, enduro e driving, para a FEI.

Saltos: Na modalidade mais conhecida do hipismo brasileiro, cavalo e cavaleiro têm de completar um percurso que tem de 10 a 15 obstáculos. Ganha o conjunto (ginete e cavalo) que percorrer o trajeto estabelecido no menor tempo e com o menor número de obstáculos derrubados (faltas).

Adestramento (ou dressage): Cavalo e cavaleiro têm de estar em perfeita sintonia e fazer, harmonicamente, uma sequência de movimentos obrigatórios e livres. São avaliados a disciplina, prontidão e elegância do conjunto.

Concurso Completo de Equitação: Comporta por provas de adestramento, saltos e cross-country, essa modalidade é considerada uma espécie de triatlo eqüestre. Nela, o conjunto tem de provar sua capacidade de transpor obstáculos naturais em alta velocidade. As disputas são realizadas em três dias seguidos e a etapa de saltos é decisiva.

Enduro: De uma forma geral, podemos dizer que o Enduro se assemelha ao rali. Nesta prova, o condicionamento físico do animal é o que importa. O conjunto deve percorrer uma trilha com obstáculos naturais em um tempo pré-estabelecido, ou não, depende do regulamento utilizado. Vence o cavalo e o cavaleiro que cruzarem a linha de chegado no melhor tempo.

Volteio: Essa prova consiste na execução de alguns movimentos (livres e obrigatórios) da Ginástica Artística em cima de um cavalo, como por exemplo: ajoelhar, ficar em pé, levantar e carregar outro volteador e etc. Existem provas individuais, em dupla e por equipes e as notas são aplicadas conforme a técnica, grau de dificuldade, equilíbrio, segurança do atleta e integração do volteador com o cavalo.

Rédeas: Círculos pequenos, círculos longos e rápidos, giro de 360 graus e outros movimentos. São esses alguns dos exercícios que devem ser executados nas provas de rédea, que valoriza a concentração e harmonia do conjunto. Nas competições de rédeas, cavalo e cavaleiro começam com 70 pontos, ao longo da apresentação vão somando ou perdendo pontos.

Pólo: Duas equipes com 4 cavaleiros cada tentam marcar o maior número de gols num campo que mede aproximadamente 275 metros de comprimento e 140 metros de largura, mais a área de segurança - que é variável. O gol tem 7,30 metros de largura com duas traves laterais, permitindo que a bola entre a qualquer altura. As partidas são supervisionadas por dois árbitros à cavalo e um terceiro que permanece fora do campo, para ser consultado caso haja divergência de opiniões ao longo da competição. Um jogo tem a duração máxima de 8 períodos (chukkas) de 7 minutos cada, com pausa de 3 minutos entre eles. Os cavalos devem ser trocados a cada período e só podem participar de duas chukkas por partida.

Driving: Embora não seja praticada no Brasil, essa é uma das modalidades mais antigas do hipismo. Funciona da seguinte maneira: uma espécie de charrete puxada por um, dois ou quatro cavalos participa de provas de adestramento, maratona e corrida de obstáculo. Vence o conjunto que tiver a maior pontuação na soma das três etapas. Na prova de adestramento, cavalo e cavaleiro devem cumprir movimentos livres obrigatórios numa área de 100m por 400m. A maratona é feita num percurso de 22km repletos de obstáculos naturais e artificiais. Na corrida de obstáculos, o cavaleiro deve seguir em linha reta, esquivando-se, no menor tempo possível, dos cones espalhados pelo caminho.